Era uma vez… um país democrático, formado por 210 milhões de habitantes, governado por políticos mal preparados e, principalmente, mal intencionados. Por meio de uma alta carga tributária, os referidos políticos arrecadam um volume enorme de dinheiro que, quase sempre, é bem mal empregado. Serviços públicos, que deveriam ajudar a população, em todos os níveis sociais, não são executados de maneira profissional.

A sociedade tem problemas de toda a natureza: educação de baixa qualidade, pouco acesso à cultura e conhecimento, sistema de saúde precária, segurança pífia. A faixa mais pobre da população sofre com a falta de saneamento básico, transporte público e outros itens vitais para uma vida digna.

E o que a população deste país faz? Quais são as atitudes?

Percebe-se, claramente, uma sociedade desunida e sem visão de futuro. Maioria imediatista: querem fazer tudo ao mesmo tempo, sem planejar. Boa parte individualista: não há senso de família e, muito menos, respeito pelos mais velhos. Neste cenário, ainda querem tirar vantagem em tudo, por meio de uma cultura de exploração.

Os mais jovens querem viver experiências boas, interessantes, valorosas, inesquecíveis, custe que custar. Mas não sabem o que fazer para alcançar esse objetivo: estão cada vez mais preguiçosos, com dificuldades de produzir com eficiência. Sempre estão distraídos e se apegam em qualquer desculpa para não trabalhar. WhatsApp, carnaval, futebol, feriados e até chuva ou sol são as justificativas para o não-trabalho. Muitos não podem nem ouvir a palavra trabalho; preferem um emprego. Sabem que está muito difícil conseguir um.

Para dar uma solução simples e rápida ao problema, tentam a sorte ao buscar o empreendedorismo como rota de fuga. Eles querem financiar suas ideias e começar seus negócios. Mas acabam parando. As barreiras já conhecidas pelos mais experientes aparecem: carga tributária excessiva (lembram o início deste texto?), juros altos, colaboradores descomprometidos (outra lembrança do início do texto), gestão precária, falta de conhecimentos técnicos gerados pela má formação e assim.

O que era sonho vira uma dura realidade.

Ainda na história desse país, outros empresários, cheios de dificuldades e desafios, conseguem sobreviver. Com uma gestão praticamente “malabarística”, trabalho duro, enfrentam bancos, governo, impostos, trabalhadores, leis, regras, cenários, crises. E lembrem-se: são esses empresários que geram a maior parte da renda e dos empregos. Eles carregam o país nas costas, junto com o agronegócio que se destaca mundialmente, mesmo sofrendo com os desafios de como escoar a produção.

Porém, o principal problema é que está pesado para poucos carregarem o peso todo.

Os Bancos, por sua vez, apresentam resultados constantemente maiores de um ano para o outro; financiam o país ao cobrar os maiores juros do mundo. Eles geram alguns empregos, mas jogam, sempre, o jogo do “ganha/perde” com a sociedade.

O fato de diluírem o risco do negócio entre muitas pessoas, faz o banco prosperar. Isso evidencia que o bom pagador paga a conta do mal pagador. Atenção: essa é a realidade e sempre será.

Em uma recente campanha lançada pelo principal canal de televisão do Brasil, a população gravou vídeos para responder: “Que país que eu quero para o futuro?” E o que consigo ver? Uma população revoltada, reclamando pelo o que não se tem, e cobrando a solução do governo e de seus governantes.

A culpa de todos os problemas sempre é do outro? Será mesmo que é assim? E se cada um fizer um pouco além, independente de quanto vai se ganhar imediatamente?

Nesse cenário conturbado, só resta a população rezar. E é isso que acontece. Uma série de igrejas surgem, sempre lotadas. O povo se agarra na fé. E advinha? Para se manterem financeiramente, as igrejas, sem exceção, arrecadam dinheiro da população que acredita, fielmente, que, ao colaborar, terão sua salvação garantida. No Brasil, nada é garantido, nem a salvação. E atentem: não estou falando de Deus, tampouco da fé das pessoas. Estou falando do modelo mental de salvação “fácil e simples”.

O que eu penso?

Vejo a solução apenas por uma via: a educação. Primeiramente, mudamos o povo. Apenas depois disso, mudamos o país.

Com mentalidade de exploração, preguiça, individualismo, falta de comprometimento e com trabalho fácil não vamos chegar a lugar algum. Já dizia Michelangelo: “A excelência é feita de pequenos detalhes – não é apenas um detalhe”.

Reflita e comece a pensar diferente. Mude você. Depois, cobre a mudança do outro.

Prof. Me. Giovanni Colacicco